Os royalties não vêm apenas de streams e downloads. Os direitos conexos são uma fonte de renda essencial — mas frequentemente ignorada — para artistas e gravadoras quando suas gravações são transmitidas ou executadas em público. Entender como funcionam é fundamental para reivindicar o que é seu de direito.
O que são direitos conexos?
Os direitos conexos referem-se aos royalties obtidos pela execução pública ou transmissão de uma gravação sonora. Ao contrário dos direitos de edição, que remuneram compositores e editoras, os direitos conexos recompensam as pessoas e entidades envolvidas na performance gravada — tipicamente o artista-intérprete e o titular dos direitos da gravação (geralmente uma gravadora ou o próprio artista).
São chamados de "conexos" porque existem ao lado do direito autoral sobre a composição musical. Em alguns países e sistemas jurídicos, também são chamados de "direitos vizinhos".
Os direitos conexos são distintos dos direitos de composição e dizem respeito especificamente ao uso da gravação sonora, não da obra subjacente.
Quem tem direito aos direitos conexos?
Os royalties de direitos conexos são geralmente divididos entre:
- Artistas-intérpretes: músicos, vocalistas, backing vocais
- Titulares dos direitos de master: geralmente gravadoras ou artistas independentes que detêm seus masters
Em muitos países, esses royalties são ainda divididos entre intérpretes principais (artistas de destaque) e intérpretes não principais (músicos de sessão, coristas), sendo estes últimos geralmente remunerados por meio de organizações especializadas ou fundos de direitos secundários (ex.: ADAMI na França, AIE na Espanha).
Em algumas jurisdições, produtores de estúdio também podem ser elegíveis para uma parcela dos direitos conexos por meio de remuneração equitativa ou acordos contratuais.
Esses direitos existem em muitos — mas não em todos — os países. Por exemplo, os EUA não pagam direitos conexos por execuções em rádio terrestre, ao contrário da maior parte da Europa.
Como receber direitos conexos
A arrecadação é realizada por organizações locais de gestão coletiva (OGCs) — entidades responsáveis por rastrear o uso, arrecadar royalties e distribuir pagamentos. Artistas e detentores de direitos devem registrar suas obras, incluindo metadados como códigos ISRC, para garantir rastreamento e pagamento adequados.
Para arrecadar direitos conexos internacionalmente, os artistas geralmente precisam se registrar em múltiplas OGCs ou trabalhar com um administrador de direitos internacional que mantenha acordos de reciprocidade. Sem representação internacional adequada, royalties podem deixar de ser arrecadados no exterior.
Por que os direitos conexos são importantes
Para muitos artistas — especialmente aqueles com significativa execução no rádio ou alcance internacional — os direitos conexos são uma valiosa fonte de renda. Segundo a IFPI, o setor gerou mais de US$ 2 bilhões globalmente nos últimos anos. No entanto, muitos direitos deixam de ser arrecadados por falta de registro, metadados inadequados ou ausência de representação em mercados estrangeiros.
Em muitos países, os royalties de direitos conexos estão sujeitos às disposições sobre "remuneração equitativa" — o que significa que são irrenunciáveis e devem ser pagos por emissoras e locais públicos a artistas-intérpretes e detentores de direitos. Esse arcabouço jurídico ajuda a proteger a renda dos artistas independentemente dos termos contratuais.
Entender e gerenciar os direitos conexos é essencial para maximizar os royalties além do streaming e dos downloads.
Quer saber onde suas músicas estão sendo tocadas no rádio ao redor do mundo? O Soundcharts ajuda artistas, managers e gravadoras a rastrear a execução global em tempo real — facilitando o suporte às reivindicações de direitos conexos e a identificação de royalties não arrecadados.
Qual é a situação nos EUA?
Os EUA reconhecem os direitos conexos apenas no contexto do streaming digital não interativo — o que significa que plataformas como SiriusXM e Pandora geram royalties, mas o rádio AM/FM tradicional e muitos locais públicos não. Isso difere da maioria dos países, onde tanto os usos digitais quanto os terrestres são cobertos.
Como resultado, artistas baseados nos EUA frequentemente perdem royalties arrecadados internacionalmente, a menos que trabalhem com uma agência de gestão de direitos que tenha acordos de reciprocidade com entidades estrangeiras. Mesmo quando suas gravações são transmitidas no exterior, alguns países retêm os pagamentos devidos a artistas americanos por falta de direitos recíprocos nos acordos internacionais.
Iniciativas legislativas como o American Music Fairness Act visam mudar isso, estabelecendo direitos conexos para o rádio terrestre nos EUA, mas essas propostas continuam pendentes até 2026.